A Confissão de Lúcio: Lúcio`s Confession
A Confissão de Lúcio: Lúcio`s Confession
Autor
Mário de Sá-Carneiro
Tradução e notas
Sávio Ramos Silva
Adaptação
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Ilustrador
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Idioma
Português-Inglês
Lançamento
03/2019
Acabamento
Cartonado
Formato
15,8cm x 23cm
Páginas
248
Peso
453 g
ISBN - Livros
9789899955851
ISBN - Digital
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Sinopse
A CONFISSÃO DE LÚCIO, de Mário de Sá-Carneiro (1890-1916), chega ao público português em uma inédita edição bilíngue português-inglês, resgatando toda a trama e a genialidade de um dos maiores nomes do Modernismo lusitano.

A CONFISSÃO DE LÚCIO, considerada pela crítica como a obra-prima dentre as suas novelas, foi publicada pelo poeta e escritor Mário de Sá-Carneiro em 1914, um ano antes do surgimento do primeiro número da revista «Orpheu» e dois anos antes de seu suicídio em Paris.

Ao incitar as personagens na busca de uma transcendência distorcida, Sá-Carneiro cria uma atmosfera de exacerbado lirismo. Capaz de acrescentar um prazeroso sabor ao narrar o inenarrável, mesmo no leitor que possui poucas fibras de sensibilidade, é capaz de produzir um turbilhão interior próximo ao palpitar acelerado do coração quando em êxtase, ao capturar-nos pelos efeitos da surpresa e do suspense. Além disso, pelas características intrínsecas da sua obra, como o gosto pela civilização cosmopolita, a descoberta e a exploração de novos sentidos e sensações, elabora a presença explícita da defesa ou da oposição de pensamentos e considerações quanto à moral corrente, ao narcisismo e fundamentalmente quanto às obsessões mais íntimas, consubstanciadas pelo desejo do suicídio, pelo amor pervertido e pela anormalidade e loucura.

Apresentado sob a forma de uma retrospetiva confessional , um romance policial, de mistério complexo , a novela inicia-se com uma breve introdução, em que o narrador, Lúcio, ao assumir-se como autor, justifica o seu objetivo: confessar-se inocente após dez anos de prisão a que fora condenado pelo assassínio de um amigo. O narrador promete toda a verdade, mesmo que inverosímil, sobre essa morte ocorrida em circunstâncias misteriosas, mas considerada judicialmente como um crime passional. Porém, será o encarceramento realmente a condenação à uma pena de prisão ou simplesmente um internamento psiquiátrico. Não sendo portanto uma narração de toda fiel, todo o relato, apresentado em detalhes ambíguos, acaba por revelar-se uma questão de fundo a ser determinada pelo leitor: trata-se dum depoimento real ou simplesmente de uma fantasia alucinada?

Por ser um texto constituído por um realismo fantástico e de vanguarda, já que Mário de Sá-Carneiro empenhou-se na busca de novos significantes em uma rutura com o modelo centrado no código princípio-meio-fim, A CONFISSÃO DE LÚCIO continua aberta a novos e amplos estudos e interpretações.
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Conheça mais sobre Mário de Sá-Carneiro


(1890-1916)

Escritor português, natural de Lisboa, de infância e adolescência marcadas pela solidão, parte em 1912 para Paris para estudar Direito, porém jamais chegou a concluir os estudos: lançou-se a uma vida boêmia pelos cafés e salas de espetáculo, o que culminou na sua ligação emocional a uma prostituta.

Corroído pela neurose, Sá-Carneiro encarnou como ninguém as frustrações e os pesadelos de sua terra, dividida entre a nostalgia das glórias do passado e a atração pela modernidade europeia.

Em 1912, começa a corresponder-se com Fernando Pessoa, onde verifica-se o agravamento dos seus problemas emocionais e as ideias de suicídio. Em 1914, publica as obras "Dispersão" e "A confissão de Lúcio”.

Em 1915, com Fernando Pessoa e Almada Negreiros, integrou o primeiro grupo modernista português que, inspirado pelas vanguardas europeias, pretendia escandalizar a sociedade burguesa e urbana, produziu a edição da revista literária “Orpheu” a qual provocou impacto e polémicas nos meios literários portugueses. No mesmo ano regressa à Paris, onde as suas crises de depressões são agravadas por suas dificuldades financeiras.

Em 26 de Abril do mesmo ano, num quarto do Hôtel Nice, em Paris, comete suicídio com o recurso de cinco frascos de estricnina. A obra de Mário de Sá-Carneiro, intimamente relacionada à sua vivência pessoal, revela toda a sua inadaptação ao mundo e a constante busca do seu próprio eu.


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